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A complexa relação entre produção e manutenção

Somos, por diversas vezes, abordados sobre a forma como podemos automatizar a comunicação entre a produção e a manutenção. Numa era em que tanto relevo tem a desmaterialização e digitalização de processos, tendemos a considerar que tudo pode ser definido por um conjunto de regras pré-estabelecidas, dispensando a intervenção humana. Obviamente que isto é possível, mas obriga a um esforço considerável no que respeita à definição de regras e condições que o algoritmo terá que tratar para responder de forma adequada à multiplicidade de situações que diariamente ocorrem.
 
Sabemos, por experiência, que estas áreas têm tanto em comum como aquilo que as separa. Não raras vezes ouvimos dizer que a produção precisa que os recursos estejam em carga constante, utilizando a sua capacidade plena, de forma a garantir o cumprimento de prazos (cada vez mais apertados). Por seu turno, nos departamentos de manutenção, a prioridade é assegurar intervenções que garantam as melhores condições possíveis de operação, maximizando a produtividade dos recursos e minimizando as paragens por falta de manutenção adequada. 
 
Normalmente, e dependo da maturidade das organizações, esta "guerra” é ganha pela produção. Esta supremacia da produção é facilmente percetível nas reuniões, que frequentemente começam com a frase: "Neste momento o grosso do nosso trabalho está a ser efetuado em corretivas… mas o nosso objetivo é consumir cada vez menos tempo com estas tarefas e sistematizar melhor as nossas intervenções”. 
Não há dúvidas que, se as equipas de manutenção tivessem os recursos necessários para a correta realização das intervenções de caráter preventivo, realizá-las-iam mesmo com os equipamentos em plena carga de operação. No entanto, uma intervenção digna desse nome obriga à paragem do equipamento. 
 
Esta primazia da produção é algo entendido como natural, pois a preocupação está (cada vez mais) centrada no cliente e na satisfação do mesmo. Claro que se conseguíssemos satisfazer todos os clientes em quantidade e prazo, qualidade do fornecimento e ainda assim ter os recursos sempre a funcionar como um relógio suíço, seria o ideal. Mas isto é utópico, para que tal fosse possível, teríamos que ter semelhante investimento nesses mesmos recursos (por forma a que estivessem praticamente sempre a trabalhar com pouca carga) que a operação deixaria simplesmente de ser viável e/ou sustentável. 
 

 "Sabe quanto me custa a paragem desta máquina”? 

 
Esta é efetivamente uma questão complexa, muitas vezes colocada, e a resposta varia em função de fatores tão diversos que é impossível termos apenas uma resposta. 
O custo de paragem de um equipamento varia em função do que estava a ser produzido e da margem libertada pela venda desse artigo, se considerarmos apenas os fatores com impacto mais direto. Mas é importante considerar outros fatores como a importância do cliente. Neste caso em particular, a resposta diferirá de interlocutor para interlocutor: alguns apontarão o peso da faturação desse cliente sobre o total da faturação (considerando já o impacto dessa perda na carteira de clientes), outros considerarão o cliente numa visão mais estratégica, ponderando não só o valor atual da relação, mas também o potencial da mesma. 

Mas esta é apenas a visão da produção. Se nos colocarmos no papel da manutenção, a questão a colocar será: "Quanto custará não pararmos esta máquina?” E mais uma vez, a resposta não é simples, nem fácil de obter. Além dos pontos já referidos anteriormente, deveremos conseguir quantificar o aumento de custos de realização de uma intervenção mais tardia face a uma intervenção atempada; os custos de redução da qualidade (caso exista) provocados pela utilização do recurso em esforço ou os valores associados a uma possível avaria.

Claro que nos poderíamos colocar no papel mais fácil e calcular quanto deixamos de produzir e os custos de manutenção e/ou reposição do equipamento em condições para retomar a produção. No entanto, isso não acrescenta valor, nem nos consciencializa enquanto decisores ou agentes de suporte à tomada de decisão.
 
Apenas quando estivermos sensíveis a todas estas questões e tivermos consciência da importância deste equilíbrio de relações e jogos de responsabilidades, poderemos apoiar na resposta à pergunta inicial deste texto: "como podemos automatizar a comunicação entre a produção e manutenção?”. 
 
A resposta terá que ser formulada tendo em consideração uma estratégia que ficará sempre a cargo das organizações. É uma questão muito mais tática do que propriamente técnica e dependerá sempre de organização para organização, pois todas são diferentes. O mais importante é perceber em que processos há perda de eficiência na relação entre a produção e a manutenção, de modo a articular estas duas áreas complementares, tirando o máximo proveito dos equipamentos e proporcionando a máxima capacidade operacional.
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